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Cesar Menotti e Fabiano testam limites do sertanejo com 'Menotti's Pop' – Folha

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Doutor em história, é autor de 'Cowboys do Asfalto: Música Sertaneja e Modernização Brasileira' e 'Simonal: Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga'.
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O mais novo disco da dupla Cesar Menotti e Fabiano, lançado em outubro passado, chama-se “Menotti’s Pop”. São dois “discos” lançados nas plataformas digitais, num total de 15 canções. Em cada faixa os irmãos juntam em medley duas músicas: uma do repertório sertanejo e, em seguida, outra do pop rock nacional.
Assim, depois de cantar “Por Enquanto”, um clássico da Legião Urbana, a dupla emenda em medley com “Alô”, do repertório de Chitãozinho e Xororó. Em outra faixa, com costura sonora bem feita, eles juntam “Infinita Highway”, dos Engenheiros do Hawaii, e “Ciumenta”, do repertório deles mesmos.
A faixa que abre o volume dois é o medley “Nova York”, um dos maiores sucessos de Chrystian e Ralf, emendada com “Além do Horizonte”, de Roberto Carlos, mas cantada pelos sertanejos de forma mais parecida com a versão do Jota Quest. Casam também “Exagerado”, de Cazuza, a “Um Beijo para Enlouquecer”, de Daniel. “Proibida pra Mim”, de Charlie Brown, flerta com guitarras pesadas e se une a “Como um Anjo”, do repertório dos irmãos.
Como disseram em entrevista ao podcast do canal Flow, os Menotti gravaram neste disco canções do pop rock nacional que povoam suas memórias afetivas. Várias delas estão entre aquelas que os irmãos cantavam nos bares de Belo Horizonte, onde começaram a carreira.
Ao gravar canções do pop rock nacional e ligá-las de forma orgânica a clássicos do sertanejo, Cesar Menotti e Fabiano mostram que as fronteiras entre os gêneros não são sólidas quanto parecem. As versões dos irmãos não devem quase nada às originais e, não fosse pelo canto em duo e os vibratos de Fabiano, dificilmente um ouvinte diria tratar-se de uma dupla sertaneja.
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A instrumentação do atual sertanejo baseada em baixo, violão com cordas de aço, guitarras e bateria, aproxima-o do pop rock nacional. As harmonias simples e as letras diretas também aproximam os dois gêneros. A sanfona talvez seja o elemento mais estranho para um roqueiro radical. Mas as distorções da guitarra Fender modelo Stratocaster, os amplificadores Vox, o baixo bem enfatizado, tudo remete ao padrão do rock.
Uma das dificuldades do pesquisador de música sertaneja é lidar com as diversas mutações do gênero. É sempre difícil definir o que é a música sertaneja, pois, desde os anos 1950, ela vive de importações estéticas. A cada nova geração, novos ciclos foram incorporando variações estéticas de outros gêneros. No sertanejo atual, já se misturou da bachata dominicana ao funk carioca, passando pelo reggaeton caribenho. Gerações anteriores já haviam misturado chamamé argentino, bolero e rancheiras mexicanas, country, rock e brega à música sertaneja.

Não é a primeira vez que os Menotti dialogam com o pop rock. Eles foram uma das primeiras duplas a despontar no “sertanejo universitário”, movimento que renovou a música sertaneja a partir de 2005. Uma das grandes novidades dessa geração foi a incorporação da estética do “Acústico MTV” às hostes sertanejas.
Os discos “Acústico” de artistas do rock e da MPB foram um projeto da MTV produzidos entre os anos 1990 e 2000 para atualizar antigos nomes da música nacional que, num balanço da carreira, reapresentavam antigos hits com nova roupagem.
A pegada dos discos e DVDs gravados pela MTV era sempre mais intimista, com instrumentos acústicos e arranjos leves. Entre os artistas que gravaram acústicos, tivemos Barão Vermelho, Legião Urbana, João Bosco, Gilberto Gil, Moraes Moreira, Titãs, Gal Costa, Rita Lee, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Art Popular, Cassia Eller, Roberto Carlos, Cidade Negra, Jorge Ben Jor, Kid Abelha, Marina Lima, Charlie Brown Jr., Zeca Pagodinho, Ira!, Marcelo D2, Engenheiros do Hawaii, Ultraje a Rigor, Lenine, Lobão, Paulinho da Viola, Arnaldo Antunes.

No entanto, nenhum artista sertanejo foi convidado pela emissora paulistana. Então a nova geração de sertanejos dos anos 2000 resolveu fazer eles mesmos seus próprios acústicos. O padrão “Acústico MTV” incorporado era fincado no violão com cordas de aço, sanfona em vez do teclado, estética intimista e atmosfera informal das gravações ao vivo.
Não apenas os primeiros discos dos Menotti mas também de Victor e Leo, João Bosco e Vinícius e Jorge e Mateus eram simples se comparados às obras dos então consagrados Zezé Di Camargo e Chitãozinho e Xororó, que abusavam de orquestrações e arranjos com muitos instrumentos. O formato acústico trazia intimismo e barateava a produção caseira ou semiprofissional dos artistas do sertanejo universitário que então começavam a carreira.
Como na música sertaneja em geral, quase tudo cabe no liquidificador sonoro do “Menotti’s Pop”. Ao antropofagizar diversos gêneros musicais e misturá-los com a bagagem sertaneja, tudo torna-se palatável ao gosto das multidões. Em parte, o sucesso do sertanejo se explica por esse diálogo com o gosto popular, algo que era feito pelo próprio rock nos anos 1960, quando do auge da jovem guarda, e nos 1980, quando foi muito popular em todo o Brasil e sensibilizou até os jovens irmãos interioranos Cesar e Fabiano.
Hoje, o rock atinge cada vez menos a juventude. Mas os irmãos sertanejos dão a sua versão sobre esse gênero que moldou suas sensibilidades musicais, reconstruindo a cultura pop brasileira pelas lentes sertanejas.
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