Com Eduardo Monteiro, festival de piano na França lembra Nelson Freire – University of São Paulo

Pianista e professor da USP participa do Festival de La Roque d’Anthéron, que acontece na França entre 18 de julho e 20 de agosto
 
O pianista e professor Eduardo Monteiro, vice-diretor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, participa no dia 7 de agosto do prestigiado Festival Internacional de Piano de La Roque d’Anthéron, na França. Ao lado de outros músicos brasileiros, Monteiro toma parte em um recital em homenagem ao pianista Nelson Freire, que morreu em 1o de novembro de 2021.
Batizado de Concert des Amis de Nelson Freire, a homenagem contará ainda com a presença de Pablo Rossi, Clélia Iruzun, Fabio Martino, Juliana Steinbach e Cristian Budu, representantes do pianismo brasileiro cujas carreiras em maior ou menor grau se relacionam com Freire. Ex-aluno de Monteiro na ECA, Budu fará também uma apresentação solo no dia 6 de agosto, interpretando peças de Villa-Lobos, Schumann e Debussy.
Indo para sua 42a edição, que acontece entre 18 de julho e 20 de agosto, o Festival de La Roque d’Anthéron é realizado desde 1981 na cidade de mesmo nome, no sul da França. Apesar de concentrar suas atenções no piano, também recebe apresentações de outros instrumentos. Foi criado e conta com a direção artística de René Martin, responsável também pelo Festival La Folle Journée, que já teve edições na cidade do Rio de Janeiro, todas contando com a participação de Monteiro.
A homenagem a Nelson Freire acontecerá no palco principal do festival, localizado no Parc du Château de Florans, e, segundo o professor, contará com um repertório centrado em compositores brasileiros e latino-americanos. Monteiro executará duas peças de Villa-Lobos e fará um duo com Budu.
 
“Nelson era sem dúvida o maior pianista que tínhamos na atualidade”, comenta Eduardo Monteiro. “Com um trâmite internacional, tocando nos cinco continentes e com uma carreira de primeiro time.” Presença assídua no Festival de La Roque d’Anthéron, Freire esteve em seu palco 25 vezes, segundo Monteiro.
“Os concertos do Nelson eram verdadeiros acontecimentos, a plateia entrava em êxtase quando ele subia ao palco, antes mesmo de começar a tocar”, continua o professor. “E ele sempre foi uma pessoa muito generosa, sempre aconselhou muito os jovens, os acolheu e escutou.”
Ainda segundo Monteiro, Freire foi o continuador de uma tradição pianística brasileira. “Apesar de todas as dificuldades que vivemos neste país, em relação à cultura e à disseminação de uma área tão específica como é a música clássica, especialmente o piano, temos uma tradição fortíssima.”
Assista no link abaixo ao Concerto para Piano Número 4, de Ludwig van Beethoven, executado pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), sob regência de Emmanuele Baldini e com Eduardo Monteiro ao piano, na Sala São Paulo, em 2020.

Apesar de participar pela primeira vez do Festival de La Roque d’Anthéron, Monteiro conta com uma trajetória reconhecida internacionalmente. Em 1989, ele ficou em primeiro lugar no Concurso Internacional de Piano de Colônia, na Alemanha, além de obter o prêmio de melhor intérprete de Beethoven. Também foi premiado nos concursos de Dublin, na Irlanda, em 1991, e Santander, na Espanha, em 1992. Foi solista em diversas orquestras brasileiras e internacionais, dentre elas as Filarmônicas de São Petersburgo, Moscou, Munique e Bremen, a Orquestra de Câmara de Viena, a Sinfônica de Novosibirsky e a Orquestra da Rádio e Televisão Espanhola.

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Por André Francisco Pilon, Professor Associado da Faculdade de Saúde Pública da USP
Por Flávia Monari Belmonte, doutoranda da Faculdade de Odontologia da USP, e outros autores*
Por Glauco Arbix, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e colunista da Rádio USP

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