Diversidade musical brasileira com 'pitada' campineira – Correio Popular

A cantora Maíra Rodrigues, de Campinas, se une aos músicos Roberto Menescal e Marcus Teixeira para lançarem o álbum “Juntos”
O projeto foi idealizado a partir da relação entre os três músicos (Luíza Baraúna)
Musicalidade brasileira através de ritmos diversos é a grande temática do álbum “Juntos”, primeiro lançado pela cantora campineira Maíra Rodrigues. Para o lançamento, ela não está sozinha. Se une aos músicos e compositores Roberto Menescal, que aos 62 anos de carreira já trabalhou com João Gilberto, Tom Jobim, Caetano Veloso e Gilberto Gil, e Marcus Teixeira, que também teve parcerias com grandes nomes do cenário nacional musical, como Gal Costa e Maria Rita. O trio vai abrir a turnê do disco em Campinas em setembro, mas ainda sem uma data e local confirmados.
O projeto foi idealizado a partir da relação entre os três músicos. Maíra e Marcus, que hoje são um casal, desenvolveram uma amizade com Roberto Menescal e em 2019 decidiram que queriam criar algo juntos. A chegada da pandemia, em 2020, não atrapalhou os planos, pois os músicos, ao lado do pianista Felipe Silveira e do baterista Osmário Marinho, criaram as sete faixas autorais à distância. “Todas as músicas falam de sentimentos e coisas que vivemos na pandemia. De saudade, de valorizarmos o tempo presente e o amor”, lembra Maíra. Marcus também é responsável pelo arranjo e direção musical do álbum. 
As referências musicais para o disco são, em primeiro lugar, a musicalidade de cada um dos artistas: Roberto carrega um pouco da Bossa Nova de seu repertório anterior, assim como Marcus adiciona sua experiência com o gênero instrumental, e Maíra carrega a novidade da sonoridade de sua voz e da autoralidade pessoal em suas composições. Os ritmos de “Juntos” são essencialmente brasileiros. “O álbum traz um pouco dessa energia da Bossa Nova do Rio de Janeiro, com a música ‘Juntos’, mas também tem o samba-canção e o ijexá”, explica ela, citando o estilo de música ritualística de origem africana trazido ao Brasil por iorubás escravizados. O ritmo foi imortalizado na voz de Clara Nunes, uma das inspirações da cantora campineira. “Foi a primeira cantora da minha vida. E o ijexá carrega a temática das orixás femininas, do mar de Iemanjá e da natureza, e eu tenho essa ligação com a religião da umbanda através da minha família”, aponta, ao comentar a principal temática por trás de uma das suas composições no álbum, a canção “Odociá”. 
Fátima Guedes e outras participações
Além do trio e dos instrumentistas, “Juntos” ainda conta com participações especiais, como da cantora e compositora Fátima Guedes, que teve canções gravadas por Elis Regina, Maria Bethânia e Ney Matogrosso, e aqui empresta sua voz na canção que dá nome ao álbum. Luiza Britto e Carol Naine são responsáveis por vocais nas outras faixas, Pedro Volta acrescenta com o som de seu bandolim e Pedro Dias faz o arranjo vocal. Além disso, a mixagem e masterização do disco foram realizadas por Alexandre Fontanetti, vencedor do Grammy Award.
“Este não é um disco igual, do começo ao fim. Ele tem essa mistura de ritmos e traz também esse movimento”, aponta a cantora, que traz referências do jazz e até uma valsa. Ela sugere que o álbum seja ouvido na sequência proposta, pois o trio elaborou a ordem das músicas pensando na experiência do seu ouvinte. “As canções não deixam de ter uma ligação uma com a outra porque os arranjos musicais as conectam, mas é um álbum muito colorido e diverso de estilos”, completa Maíra.
A cantora campineira está em preparação para os shows de lançamento de “Juntos”, mas já está de olho no seu próximo projeto musical: é uma homenagem à uma intérprete, portanto ela vai reinterpretar as canções da homenageada. Mas, por ora, prefere manter a surpresa e ainda não revela quem é. Enquanto isso, é possível ouvir seu álbum de estreia nas plataformas digitais de áudio.

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