Em papo sobre carreira com a filha Giulia Lins, Leandro Lima faz balanço de Pantanal: "Quando se tem sucesso a cobrança é maior" – Vogue Brasil

Giulia Lins e Leandro Lima (Foto: Divulgação)
Junto com a ascensão de seu personagem Levi, na nova versão da novela “Pantanal”, Leandro Lima, 40 anos, pôde acompanhar o sucesso de sua filha mais velha, Giulia Lins, que está despontando como modelo.
Natural de João Pessoa, na Paraíba, a jovem de 22 anos é agenciada pela Way Model, mesma empresa que cuida da carreira de Alessandra Ambrósio, Candice Swanepoel, Carol Trentini e outras estrelas do mundo da moda.

A família, aliás, acaba de ganhar mais um integrante, Toni, que nasceu dia 3 de junho, mesma data do aniversário da filha e da mãe do ator. A mulher de Leandro, a também modelo Flávia Lucini, estava a caminho da maternidade, quando o parto aconteceu, no carro do casal.
Com exclusividade para a Vogue Brasil, Leandro foi entrevistado por Giulia. No papo, os dois falam sobre as similaridades sobre suas carreiras, a relação de pai e filha, conselhos e mais. Continue lendo!

Qual foi a melhor coisa em tão cedo ter se tornado meu pai?
A melhor coisa em ser seu pai tão jovem foi ser seu pai e você ser minha filha! Posso dizer com certeza que isso é a melhor coisa de todas, junto com a descoberta do amor verdadeiro. Depois vem o senso de responsabilidade, ser responsável pela vida e educação de um outro ser traz um amadurecimento importante. Posso dizer que ser seu pai me salvou!
O destino da nossa 1° viagem como modelos foi o mesmo. Quais os pensamentos, questionamentos e expectativas você tinha quando chegou em Milão em 2003?
Essa foi uma experiência 100% válida e que acabou fazendo parte da construção de quem eu sou hoje. Eu lembro que quando soube da viagem, fiquei muito ansioso pois era algo muito novo para mim, minha primeira viagem internacional, e ainda por cima sozinho e para trabalhar em algo completamente inédito, como modelo! A minha expectativa era passar três meses, fazer uma grana em Euros, o que iria ajudar a melhorar nossa condição, mas eu não fazia ideia de que ia virar uma profissão.
Graças a Deus deu certo, mas eu ficava o tempo inteiro me perguntando se valia a pena eu estar tanto tempo longe de você, mesmo sendo para te dar uma condição melhor.
Ao mesmo tempo, eu entendi que através dessa oportunidade eu conseguia arcar com as despesas como pai e experienciar outras culturas, o que de algum modo seria valioso para a sua criação também. Quando você foi viajar eu me senti tranquilo, pois sei que Milão é uma cidade pequena, segura e que iria te abraçar, como me abraçou.
Eu sempre tenho curiosidade de saber mais sobre suas vivências em Nova York! Como chegou a fazer o primeiro curso de teatro por lá?
Nova York é uma cidade muito instigante, tem sempre muita coisa acontecendo, o mundo inteiro ali. Certamente uma das cidades mais globalizadas do mundo, se não a mais. Lá existe essa cultura do prosperar, o que traz um grande estímulo para que você faça tudo e que tudo aconteça.
Flavia e eu vivemos em muitos bairros em NY, Manhattan, Downtown, Brooklin, Lower East Side, Astoria, Long Island City, o que trouxe muitas experiências diferentes numa mesma cidade. Foi lá que eu decidi escolher a atuação como ofício, por ter entendido que não conseguiria fazer bem várias coisas ao mesmo tempo. Então tomei a decisão de deixar de ganhar dinheiro como modelo, para me dedicar ao curso de atuação dos sonhos, na Lee Strasberg, uma das maiores escolas de formação de atores de Nova York, por onde passaram nomes como Marlon Brandon e Marilyn Monroe. Ou seja, além de parar de trabalhar como modelo, eu tive que fazer um super investimento e passei a focar nisso. E foi maravilhoso, foi uma das boas escolhas que eu fiz na minha vida. Mas ao mesmo tempo é uma cidade muito caótica, então depois de um certo tempo eu já estava cansado com tanta informação de consumo o tempo inteiro.
Quais os três melhores países que já morou e quais as melhores lembranças que carrega dos anos fora do Brasil?
Essa é uma pergunta muito difícil, pois eu gostei muito de morar em cada um dos lugares que morei. Cada um com sua particularidade, mas gosto de todos. Porém, acho que Paris fica em primeiro lugar. Pelo estímulo artístico, existem sempre muitas manifestações públicas de arte o tempo inteiro e isso me alimentava de uma forma especial. Simplesmente sentar em um café e observar o comportamento das pessoas… Existe aquela cultura do happy hour, onde você conhece e troca com pessoas envolvidas com arte de todas as partes do mundo. De fazer um piquenique e de repente estar rodeado de atores, artistas plásticos, músicos e ao mesmo tempo pessoas de outras áreas completamente diferentes. Paris tem essa coisa que me pega.
Em segundo lugar, elejo a Itália, sem dúvidas. Um país pequeno, concentrado com tantas coisas maravilhosas. Eu tenho grandes amigos lá, vivi viagens incríveis, como fazer a Itália de carro de ponta a ponta várias vezes, ir para a Suíça que é do lado, ir para a Puglia, que virou um segundo lar, e tantas Itálias que cabem dentro da Itália. Para mim a Itália é como o Brasil em termos de diversidade cultural, só que pequenininha.
E em terceiro lugar, Nova York. Uma cidade com todos os atrativos do mundo, tudo acontecendo ao mesmo tempo. Eu me identifico mais com a Europa em termos culturais, mas NY é o mundo inteiro e tem a coisa da música, do jazz puro. Tive a sorte de ser vizinho de uma família de músicos de jazz de altíssimo nível e participei de encontros musicais inacreditáveis. Também tenho muitos amigos lá. Cheguei a fazer um curso de bartender e trabalhei na noite em lugares incríveis, neste período de estudos. Foi realmente uma experiência fantástica!
Eu amo música, só quem conhece sabe! A Ala Ursa teve boa influência nessa história também. Quando foi que você começou a dar importância a música e a notar que poderia ter algum talento pra coisa?
A música sempre teve um lugar muito importante na minha vida. Ainda bem que nós, sua mãe e eu, conseguimos transmitir esse bom hábito de ouvir música o tempo inteiro e amar a música. Lá em casa minha mãe também sempre teve esse hábito. Lembro dela ouvindo Caetano bem alto na vitrola. Lembro também quando chegou o primeiro aparelho de CD e não tinha nem onde comprar CD em João Pessoa, então, quando ela foi pro Rio ela trouxe CD’s. O primeiro que lembro de ouvir foi um de Ella Fitzgerald com a Billy Holliday que a gente ouvia em loop.
Graças aos meus pais eu sempre tive acesso à boa música desde a infância. Sou apaixonado por Caetano desde então. E você, Giulinha, ia pra escola ouvindo João Gilberto, lembra? Tem um CD dele que rolou milhões de vezes no carro… E quanto a ter talento pra música, apesar de ter feito aulas de música na Federal de João Pessoa, eu achava que não tinha muito talento pra coisa não, mas gostava muito de cantar e foi aí que surgiu a oportunidade com A Ala Ursa, de ser vocalista da banda. As coisas aconteceram de forma muito orgânica e rápida e a música desde então faz parte da minha vida de uma forma muito especial. Você canta lindamente e sinto muito orgulho que tenha herdado essa conexão, essa paixão pela música!
Giulia Lins e Leandro Lima (Foto: Divulgação)
Como foi  saber que eu me tornaria modelo? O que te deixou mais receoso no começo? E o que mais te surpreendeu?
Eu confesso que apesar de ter vivido ótimas experiências como modelo, quando eu soube que você estava se interessando por isso eu fiquei bastante apreensivo por conta da instabilidade que a profissão traz. Acho não ter rotina, compromissos fixos, os muitos altos e baixos da profissão são um ônus… E como a gente tenta evitar que os filhos sofram, eu quis te ancorar, mostrar que nessa carreira não tem glamour, que não é fácil, que tem momentos instáveis, tudo na intenção de te proteger. Queria que você não passasse por tudo isso. Mas por outro lado, tem a experiência de conhecer coisas que você não teria acesso tão rapidamente. E o que mais me surpreendeu é que você com seu jeito, com sua graça, sua inteligência e seu charme, ganhou seu espaço e me surpreende a cada dia. Quando eu vejo os trabalhos lindos que você faz, eu acho maravilhoso o fato de você estar traçando seu caminho por conta própria, encarando, levando a sério e fico muito orgulhoso. Mas acho também que você tem outros grandes talentos que precisam ser explorados. Por exemplo, fiquei muito feliz quando você estava estudando design e ganhou um prêmio do Dragão Fashion logo no seu primeiro semestre de faculdade e desejei que você tivesse seguido nessa. Mas sei que não é a vontade do pai que vale, mas sim a sua vontade. E você está indo muito bem, fico orgulhoso e vou ficar orgulhoso se você seguir outros caminhos também, tenho certeza.
Conta alguma boa história nossa de quando eu era criança. E uma pérola de Giulika que você deixaria pro mundo
Tem muitas pérolas da Giulika, mas eu estava lembrando aqui que você tinha o vocabulário muito vasto, muito rico, para uma criança da sua idade, acredito que porque você convivia muito com adultos, estava sempre ouvindo o noticiário com a Dona Sônia, sua avó, então toda hora surgia uma pérola. Eu lembro que uma vez a gente foi fazer um vídeo de aniversário para a sua tia Mari e você falou muito séria, cheia de repertório e no final você soltou: “então é isso, tia Mari, espero que você seja muito feliz e que você encontre o seu caminho!” E claro, todo mundo caiu na risada com esse depoimento!
O que você mais admira em mim?
Entre todas as coisas que eu admiro em você, a inteligência emocional é o que me chama mais atenção e me deixa surpreso. A sua sensibilidade em lidar com as pessoas, em lidar com assuntos, uma certa maturidade para a sua idade. E o que eu não admiro é que você não responde celular tão imediatamente quanto eu gostaria (risos).
Que conselho você daria para o Leandro de 20 anos atrás?
Eu diria para se perguntar frequentemente o que realmente vale a pena gastar energia e em cima disso direcionar os esforços. E diria também para sonhar muito, muito alto e dizer para si mesmo: “eu sou capaz de realizar qualquer coisa que eu desejar de verdade!”
Como está sendo para você realizar o sonho de brilhar em uma novela das 21h na Globo? Que filme passa pela cabeça?
Passa na minha cabeça que todo o esforço e trabalho valeram a pena. Que vale a pena seguir, que o sucesso é efêmero, especialmente nessa área, que isso vem e logo se vai, então que eu preciso continuar trabalhando arduamente, me esforçando da mesma maneira ou até mais, porque quando se tem sucesso a cobrança é maior. Então eu fico grato a todos que estiveram nessa caminhada. Grato a mim também, por ter me dedicado, focado e sei que preciso me dedicar cada dia mais e que estou em construção e nunca vou estar pronto 100%.
Veja mais fotos do ensaio exclusivo de Giulia Lins e Leandro Lima abaixo. 
Giulia Lins e Leandro Lima (Foto: Divulgação)
Giulia Lins e Leandro Lima (Foto: Divulgação)
Giulia Lins e Leandro Lima (Foto: Divulgação)
Giulia Lins e Leandro Lima (Foto: Divulgação)
Giulia Lins e Leandro Lima (Foto: Divulgação)

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