Entenda a relação entre Martin Luther King, ícone dos direitos civis, e o jazz – UOL

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Se um dia você já se perguntou o que Martin Luther King tem a ver com jazz, a resposta é —tudo. Sua relação com os músicos era muito próxima, e o jazz trazia ao movimento dos direitos civis dignidade e respeito, além de palavras de identidade que fluíam por vozes e instrumentos de inúmeros artistas. Ele foi abraçado e abraçou o movimento intensamente.
Desde 1983, todo ano, na terceira segunda-feira de janeiro, é comemorado nos Estados Unidos o Dia de Martin Luther King. O feriado, próximo ao dia do nascimento de King —15 de janeiro
de 1929—, é como se fosse o Dia da Consciência Negra para nós. Um dia para refletir sobre o legado de King e sua luta pelos direitos civis. E para celebrar sua calorosa e recíproca relação com o jazz.

King dizia que “o negro é chamado para ser a consciência da nação”. Não foram poucos os artistas que ouviram esse clamor. John Coltrane, por exemplo, realizou oito concertos em apoio ao ativista em 1964. Compôs diversas músicas dedicadas à causa, sendo “Alabama”, daquela mesma época, a mais expressiva de todas.
Nina Simone concebeu dois dos mais influentes hinos da era dos direitos civis. O primeiro, “Mississippi
Goddam”, presente no álbum “Nina Simone in Concert”, de 1964, foi um divisor de águas na história da música negra de protesto.
Gravada no Carnegie Hall em frente a um público majoritariamente branco —que ela conseguiu provocar e confrontar com seu desempenho impecável, indestrutível—, a canção é uma resposta ao assassinato do ativista Medgar Evers e ao mesmo atentado a bomba na igreja do estado americano do Alabama que motivou Coltrane a compor a canção homônima.
O segundo hino de Simone é “To Be Young, Gifted and Black”, lançada como single em 1969 e posteriormente regravada por vários artistas como Aretha Franklin e Dionne Warwick. Com letra de Weldon Irvine, é uma homenagem à amiga de Nina Simone, Lorraine Vivian Hansberry, que acabava de morrer e foi grande ativista e primeira autora afro-americana a ter uma peça encenada na Broadway, “Raising Sun”.
Charles Mingus é outro dos que abraçaram em sua obra o ativismo. Em 1957, indignado com o decreto do então governador do estado do Arkansas que tentava impedir nove estudantes negros de frequentarem uma escola para brancos, ele compõe “Fables of Faubus”. A princípio a canção foi gravada sem letra, porque a gravadora Columbia considerou os versos incendiários demais. Mingus regravou a canção no ano seguinte pela Candid Records.
A atitude da Columbia, aliás, demonstra bem a pressão sofrida por artistas negros, que viam sua liberdade de expressão limitada por dependerem financeiramente da aprovação do público branco. Mingus ajudou a romper essa barreira. Em 1962, o escritor Amiri Baraka usou as palavras perfeitas para definir o que nortearia o trabalho desses jazzistas. “Se você não gosta, não ouça.”
Já o proprietário da Candid Records, Nat Hentoff, não fez apenas ecoar o protesto vocal do músico em “Faubus”, como também lançou em 1960 o álbum “We Insist! Freedom Now Suite”, de Max Roach, que trazia em sua capa uma foto num balcão de lanchonete.
Era uma referência a um tipo de protesto contra a segregação racial conhecido como “sit-in”, em que os manifestantes se estabelecem em um local e se recusam a sair de lá. King participou de um desses, se sentando ao lado de outros 51 ativistas num restaurante “para brancos” em Atlanta. Todos acabaram presos, tachados de invasores.
Depois, em 1958, Sonny Rollins grava pela Riverside Records o álbum “The Freedom Suite”, uma declaração de liberdade musical e racial. Ella Fitzgerald foi uma das muitas artistas que homenagearam postumamente King com seu single “He Had a Dream”.
Enquanto a conexão entre a música e o ativismo se fortalecia, jazzistas tocavam e falavam abertamente sobre quem eram e o que pensavam nos palcos. A despeito das declarações de repulsa e atos de extrema violência dos racistas, ali havia liberdade. Sob os acordes, não era nada difícil encontrar discursos de resistência, de libertação e de raiva. A música “fala pela vida fora da opressão”, dizia King.
Vale lembrar um pequeno trecho do poderoso discurso de King na abertura do Festival de Berlim em 1964, o primeiro de uma série de festivais que ajudaram a consolidar a importância do jazz no mundo todo. “O jazz é o porta-voz da vida. É uma música triunfante”, ele afirmou.
“Quando a própria vida não oferece ordem e significado, o músico cria uma ordem e significado a partir dos sons da terra, que fluem através de seu instrumento. Muito do poder do nosso movimento pela liberdade veio dessa música. Ela nos fortaleceu com seus doces ritmos quando a coragem começou a falhar. Ela nos acalmou com suas ricas harmonias quando estávamos tristes.”
Versão anterior deste texto dizia que Sonny Rollins gravou o álbum “The Freedom Suite” em 1963.  A gravação é de 1958.
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