Juliana Linhares apresenta repertório de 'Nordeste Ficção' no Verão Mais Elas – QUEM Acontece

Juliana Linhares (Foto: Fábio Cordeiro)
A cantora e compositora  Juliana Linhares  fechou o quarto dia do Verão Mais Elas neste sábado (26). O evento em celebração ao mês das mulheres tem curadoria da Quem e acontece na Praia de Ipanema, na altura do Jardim de Alah, com entrada gratuita, até domingo (27). “Estava em São Paulo. Tomei banho de mar e vim cantar. Uma delícia! Estou muito feliz com essa volta [aos shows presenciais], porque sou muito artista de palco mesmo. Acho que as coisas melhores acontecem quando estamos juntos aqui”, disse ela, ao cantar músicas do álbum solo Nordeste Ficção.
Em papo com a editora sênior da Marie Claire Giulianna Campos, a artista ainda falou sobre suas referências musicais e o novo trabalho, que conta com a participação de nomes como Chico César, Zeca Baleiro, Tom Zé e outros. “Cresci ouvindo essa galera. Todas essas pessoas me formaram enquanto artista que eu sou”, afirmou.
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“Me inspirei na Elba (Ramalho) e em todos esses artistas que vieram do extremo nordeste para o sudeste mostrar nossa música. A Elba fez essa transição do som regional para MPB. Todos eles, O Grande Encontro, Chico (César), entre outros, me inspiram muito”, completou.
Juliana contou que o disco foi gravado todo a distância por conta da pandemia. “Queria fazer um puta processo, comer junto, gosto de comer. Pensei: vou levar todo mundo para a serra. Mas ficou muito complicado. Nesse processo veio o Marcus Preto (diretor artístico) que trouxe músicas e parcerias. Recebi muitos sins e foi incrível gravar com essa galera”, afirmou ela, revelando ter vontade de fazer feats com RAPadura e Mart’nália.
Morando há 12 anos no Rio, Juliana contou os hábitos do Nordeste que sempre vai manter.  “Nordeste é aquela coisa, a gente fica com vontade de ir embora. Como cuscuz, durmo de rede, tento manter os meus costumes”, disse.
Juliana Linhares (Foto: Fábio Cordeiro)
INSPIRAÇÕES E REFERÊNCIAS
No álbum de estreia, Nordeste Ficção, Juliana usa sua voz para levar adiante discussões importantes. Nele, a artista se viu inspirada pelo livro A Invenção do Nordeste e Outras Artes, do também potiguar Durval de Albuquerque Jr, e mistura vivências e referências para desmistificar estereótipos atribuídos ao povo nordestino. “Muitas vezes eu perguntei na internet ‘o que vem na sua cabeça quando você pensa em Nordeste’, e as pessoas falavam ‘cuscuz’, ou ‘Maria Bonita’, ou ‘as praias’, nunca falavam, sei lá, uma pesquisa científica, uma coisa política, um atleta…”, contou em entrevista a Quem.
O álbum traz referências de várias gerações de músicos nordestinos, de Elba Ramalho a Zeca Baleiro. “Eu ouço Elba e o Grande Encontro, por exemplo, desde muito criança, essas referências chegaram através da minha região, lá todo mundo conhece esses cantores (risos), meu pai ouvia muito Zé Ramalho, Elba, DiNardo, Alceu, Amelinha… Então, eu tinha discos e LPs dessa galera em casa e fui descobrindo aquilo, catando aqueles materiais sonoros e comecei a gostar. Zeca Baleiro e Chico César, por exemplo, foram pessoas que eu ouvi muito na minha adolescência e tenho a honra de tê-los no meu disco. O que aconteceu foi que Chico é uma pessoa de quem me aproximei já há algum tempo — a gente gravou uma canção no Pietá, fiz o espetáculo A Hora da Estrela, que ele fez a trilha sonora… E, entrei em contato, falei ‘bora compor’ e ele topou! Zeca foi assim também, fiquei nervosa, animada e a gente foi trocando. Para mim é uma honra ter essas referências vivas, como eles, no meu trabalho”, disse.

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