O talento através de gerações | Cultura para Todos – Mozarteum Brasileiro – Estadão

Música, dança e histórias que inspiram
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A genealogia da música clássica tem diversas ramificações. Alguns herdaram a vocação pelo DNA; outros encontraram parcerias artísticas em relacionamentos afetivos

São comuns as influências paterna e materna na escolha das profissões. Da mesma forma, não são poucos os relacionamentos que surgem entre pessoas que possuem a mesma ocupação, ou compartilham talentos semelhantes. Na história da música clássica, exemplos como esse estão longe de ser raros.
Talvez a mais famosa das genealogias musicais seja a família Bach, que deu ao mundo nada menos do que 50 artistas, entre músicos e compositores.  O membro mais ilustre, claro, é Johann Sebastian Bach, de legado indiscutível. Mas essa autêntica dinastia durou quase 300 anos: teve início em meados do século 16, com seu trisavô, Veit Bach; e perdurou até o falecimento de Wilhelm Friedrich Ernst Bach, neto do mais famoso dos Bach, em 1845.
Reprodução do quadro ‘Sebastian Bach and his Family at their Morning Devotions’, de Toby Rosenthal, 1870) / Wikimedia Commons
O sobrenome era tão associado à música em sua cidade natal – Erfurt, na Alemanha – que por um bom tempo todo músico a despontar na região era chamado assim, mesmo que não tivesse qualquer laço com a família.
Outros nomes de peso na história da música clássica também figuram nesta lista.
Ludwig van Beethoven, por exemplo, herdou de seu avô o nome e a vocação. O velho Ludwig ocupou por muitos anos o cargo de regente na Capela Arquiepiscopal na corte de Colônia, na Alemanha. Já Johann, seu pai, além de tenor, possuía bons conhecimentos em teoria musical – e por isso foi seu primeiro professor.
Wolfgang Amadeus Mozart também encontrou um ambiente propício para lapidar seu talento enquanto crescia em Salzburgo, na Áustria. Seu avô materno era corista e o pai, Leopold, foi músico de câmara.
Além disso, Mozart ainda se casou com a soprano Constanze Weber – prima do também compositor Carl Maria von Weber – e teve sua trajetória seguida pelo filho caçula, Franz, que prosperou como virtuoso do piano e maestro.
Richard Wagner estabeleceu laços afetivo-musicais a partir do segundo casamento. A esposa Cosima, afinal, era filha do renomado Franz Liszt e também compunha.
Três frutos deste relacionamento trilharam a mesma carreira: Wolfgang, Eva e Siegfried. O último, Siegfried, com mais destaque: assinou algumas óperas e dirigiu o tradicional Festival Bayreuth, entre 1908 e 1930.
Outro casal inspirado pelo talento era Robert e Clara Schumann. Ele consagrou-se como expoente do romantismo e ela, mesmo iniciando a carreira tardiamente, foi reconhecida por crítica e público. As referências, para não fugirem à regra, vieram do berço: a mãe de Robert era cantora; e o pai de Clara dava aulas de piano.
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Por fim, vale mencionar os irmãos Haydn, que mantiveram a grife em alta por algumas décadas. Além do celebrado Joseph, um dos ícones do classicismo vienense, também tiveram seus momentos de êxito Michael, compositor de obras sacras; e Johann, o caçula, tenor.
Treino, ensaios e muita disciplina certamente têm papel determinante no desenvolvimento de uma carreira musical, mas a ciência algumas vezes já sugeriu que o fator genético pode ser mais determinante no surgimento de um talento.
Um dos estudos neste sentido foi publicado pela Psychological Science e leva a assinatura de Miriam Mosing, pesquisadora do Instituto Karolinska, da Suécia.
Em uma extensa pesquisa, ela comparou os resultados obtidos junto a mais de seis mil gêmeos idênticos e fraternais para atestar se a prática afetava as respectivas capacidades em detectarem mudanças melódicas e rítmicas.
Os resultados não apresentaram diferenças entre os que se dedicaram aos treinos e os que simplesmente não tocaram, o que reforçou sua conclusão em favor da teoria do DNA musical.

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