“Portugal, vocês são o meu sonho”: a noite idílica de John Legend no EDP Cool Jazz – Nit.pt

Três anos depois, o Hipódromo Manuel Possolo, em Cascais, encheu-se novamente de vários milhares de pessoas para mais uma edição do EDP Cool Jazz. John Legend era um dos nomes mais aguardados — mas, como fez questão de referir, o próprio músico ansiava há muito pelo regresso aos palcos de forma regular.
“Portugal, vocês são o meu sonho tornado realidade. Sempre sonhei estar num palco a cantar para muitas pessoas”, disse, pouco depois de ter começado a atuar, acompanhado por uma extensa banda e um coro feminino de três vozes. De tons magenta, mostrou-se livre, a dançar energeticamente em palco, a desfrutar genuinamente do momento. 
Na plateia, o público acompanhou atentamente o espetáculo de hora e meia, embora de forma não tão efusiva como se poderia esperar de um concerto recheado de grooves, de música pop calorosa, embebida de gospel, soul, funk ou R&B — e algumas canções, além disso, tiveram direito a arranjos mais dançáveis. O americano arrancou a atuação com temas como “Ooh Laa”, “Used To Love U”, “Penthouse Floor” ou “Love Me Now”.
Entre canções, foi trocando algumas palavras com a multidão, e isso fez-se sentir sobretudo num medley autobiográfico através do qual relatou a sua história — e também ostentou um impressionante currículo. 
Lembrou que tocou o piano de “Everything is Everything” no álbum clássico de Lauryn Hill “The Miseducation of Lauryn Hill”, o “primeiro grande disco” em que participou. Ilustrou como a sua relação de amizade e cumplicidade artística com Kanye West o levou a colaborar com Jay-Z em “Encore”, com Estelle no hit “American Boy”, ou com Alicia Keys em “You Don’t Know My Name”.
John Legend antecipou também o seu próximo álbum, que será lançado este ano, com “Dope” — e mais tarde com o novo tema “All She Wanna Do”. Depois de trocar de fato para um figurino branco, e já sentado ao piano, interpretou a icónica “Feeling Good”, canção imortalizada por Nina Simone, antes de homenagear as suas raízes musicais e a avó do gospel que o influenciou profundamente. A ela dedicou-lhe uma versão de “Like a Bridge Over Troubled Water”, de Simon & Garfunkel.
No alinhamento não faltaram canções como “Ordinary People”, “Save Room”, “Glory”, “Bigger Love” e “Green Light”, sendo que o encore ficou entregue à muito popular (e aclamada) “All Of Me” — que fez levantar centenas de telemóveis e um coro em uníssono — e a “Under the Stars”. Muitas outras poderiam ter entrado na lista, claro.
Num mundo de estímulos cada vez mais rápidos, onde a efemeridade parece ser a única constante, John Legend levou o amor em forma de música — e também a sua mulher, a modelo Chrissy Teigen — a Cascais. 
O músico é um autêntico evangelizador deste nobre sentimento — alguém que viaja pelo mundo a entoar temas de carinho, compaixão e ternura. Sempre com uma mensagem positiva e um sentido de gratidão. E é um artista virtuoso, com um talento extraordinário, com uma visão de que a música está ao serviço de um bem maior. Foi um concerto bonito, puro e romântico — que beneficiou com a qualidade do som no EDP Cool Jazz — de que todos precisamos num ano como este.
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