Um século de jazz! | Jornal A Voz da Serra – Jornal A Voz da Serra

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O jazz alcançou a marca de centenário em 2017. Mas, o gênero é muito mais velho do que isso para quem viveu nos guetos de Nova Orleans. O início do jazz, como modalidade musical conhecida em todo o mundo, se deu com a primeira gravação comercial de jazz da história, há pouco mais de 100 anos, em 1917. 
A Original Dixieland Jass Band (ODJB) — com “s” mesmo — gravou a faixa “Livery stable blues” e, sem se dar conta, alavancou o jazz a um novo patamar de popularidade, reconhecimento e profissionalização. Começava a era do jazz, tão bem retratada nos romances de Scott Fitzgerald.
“Livery stable blues” tem tudo de irreverência e zero de refinamento. Nela, o clarinete, a corneta e o trombone imitam sons de bois, cabras e burros. A canção foi um hit entre jovens e adolescentes, e sua gravação em disco foi tão fundamental para a disseminação do gênero quanto o sucesso em si. A história do jazz depende de disco mais do que qualquer outro gênero por três razões:
Primeiramente, por causa da improvisação. No jazz, os músicos criam enquanto tocam, e a gravação é a única maneira de registrar o que eles fazem. 
Outra razão está nos timbres e sons. Os músicos de jazz sempre procuraram ter uma assinatura sonora. Os discos permitiram que essas identidades fossem preservadas e asseguraram que elas fossem assimiladas como algo único de cada banda, sem risco de cair no esquecimento da maioria.
Um terceiro motivo é puramente econômico. A indústria fonográfica tirou o jazz dos guetos de Nova Orleans, no sul dos Estados Unidos, apresentou-o à sociedade americana, transformou-o num sucesso mundial e criou um mercado de trabalho para seus músicos.
Os revolucionários Ellington e Armstrong
Nada na gravação de “Livery stable blues” se encaixa nos estereótipos do jazz. Em 1917, o “blues” presente no título era mais desconhecido do que o jazz e só viria a ser gravado em 1920. A ODJB era formada por brancos que passaram a vida clamando serem criadores de um estilo musical desenvolvido por descendentes de escravos.
Os críticos acreditam que o jazz surgiu no fim da década de 1890, quando Buddy Bolden, um cornetista neto de escravos, misturou blues e ragtime, um ritmo sincopado então na moda. Alcoólatra, Bolden foi internado num manicômio em 1907, recebeu um diagnóstico de esquizofrenia e morreu 24 anos depois sem saber da fama obtida por sua criação.
Com o sucesso de “Livery stable blues”, a ODJB divulgou o estilo na Europa e ajudou a consolidar o mercado para o jazz em cidades como Chicago e Nova York. Em meados dos anos 1920, a indústria fonográfica já era capaz de reproduzir música com alguma fidelidade. São dessa época as primeiras gravações da orquestra de Duke Ellington e do trompetista e cantor Louis Armstrong, responsável por tantas revoluções no jazz que pode se confundir ele mesmo com o estilo.

O jazz continuou evoluindo paralelamente à indústria fonográfica nas décadas seguintes. Com o tempo, técnicos com ardor de fãs solucionaram os problemas de captação de som, e em meados dos anos 1950, engenheiros como Rudy Van Gelder atingiram um grau de excelência impecável mesmo para os padrões atuais. 
Morto em 2016, Gelder — engenheiro e técnico de som e produtor — viveu o período no qual a audiência do jazz entrou em declínio. Por outro lado, assistiu ao surgimento do som digital e converteu, ele mesmo, para a nova mídia, parte de suas obras-primas. Testemunhou a volta do vinil, moda retrô que não apoiava, e o nascimento do streaming, que facilitou o acesso às gravações. Em 2012, recebeu o Prêmio Grammy Curador Paul Acket.
A revolução tecnológica fez com que as maiores mudanças no jazz não ocorressem mais na música, mas na forma como ela é concebida, gravada, distribuída, vendida e compartilhada. A importância do disco como fonte de remuneração dos artistas se perdeu, e o dinheiro voltou a vir dos palcos, como ocorreu nos primeiros anos do jazz.
(*Fonte: https://epoca.oglobo.globo.com/)
Miles Dewey Davis III: o trompetista se consagrou como um dos músicos mais influentes do Século 20
Ele foi um dos trompetistas mais pessoais, dotados e influentes a aparecerem na segunda metade do século 20. Seus discos — desde Birth of the Cool (1957) a Kind of Blue (1959) e Sketches of Spain (1960), passando pelas tempestades eletrônicas de Bitches Brew (1970) e Pangaea (1975), seguindo até lançamentos mais recentes como Tutu (1986) — são gravações estupendas.
No jazz, mais até do que em outros estilos criados primeiramente por norte-americanos negros, inovação é o principal da arte. E quando se trata de inovação — ou como Davis coloca, “mudar a música” —, o homem tinha poucos pares.
Até os revolucionários mais brilhantes do gênero, de Louis Armstrong a Charlie Parker, tendiam a criar um estilo radicalmente novo em seus instrumentos, enquanto o resto do mundo tentava acompanhar. Alguns indivíduos excepcionais, como Coltrane, Ornette Coleman, mudaram a música mais de uma vez. Mas a afirmação de Davis de que ele “mudou de música cinco ou seis vezes” não era uma simples ostentação. E ele disse Música, não Jazz. Não “apenas” jazz…
Trajetória do mestre
O cenário familiar de Davis ajuda a explicar por que ele era tão autoconfiante. Nasceu em Illinois (EUA) como Miles Dewey Davis III, em 1926, filho de um bem sucedido dentista e de uma destacada tecladista e violinista, cheia de estilo. Aos 18 anos, ouviu jazz moderno pela primeira vez — a música que mudou sua vida — quando Charlie Parker e Dizzy Gillespie tocaram em St. Louis como integrantes da banda de Billy Eckstine. 
Na época, Davis era um músico talentoso com experiência em grupos, e estava substituindo o terceiro trompetista da banda, afastado por doença. Depois de tocar com a banda durante as duas semanas em que ficaram em St. Louis, Davis queria acompanhá-los na turnê. 
A família não permitiu, mas os convenceu a mandá-lo para Nova York para estudar música clássica na Julliard, em 1944. Na prestigiada escola de música participava das aulas durante o dia, enquanto desenvolvia suas habilidades de improvisação nos clubes de jazz à noite, com seu companheiro de quarto e guru musical, Charlie Parker. Em maio de 1945, lançou a primeira gravação em parceria com o cantor de blues, Rubberlegs Williams. 
Em 1955, Davis montou outra banda, um quinteto com o jovem John Coltrane. Em duas sessões de maratona, o grupo gravou material suficiente para vários discos no selo Prestige. O último álbum do grupo, ‘Round About Midnight, foi a primeira gravação de Davis para a Columbia Records, uma associação que duraria até ele se mudar para a Warner Bros, em meados dos anos 80.
As próximas mudanças musicais importantes vieram com a ajuda de um quinteto de meados dos anos 60 que incluía Wayne Shorter, Herbie Hancock, Tony Williams e o baixista Ron Carter. A música foi uma reação e alternativa ao florescente movimento de free-jazz do período. Estruturas musicais tradicionais e um pulso rítmico regular não foram abandonados completamente, mas tratados com uma plasticidade impressionante. Desde então, os músicos vêm construindo sobre a base deste quinteto; os primeiros discos de Wynton e Branford Marsalis foram em grande parte devidos a este estágio do desenvolvimento incansável de Davis.
Miles Dewey Davis III provavelmente teve mais reconhecimento, controvérsias, mulheres, recompensas financeiras, respeito de outros músicos e uma vida mais pura do que qualquer músico com raízes no jazz do último meio século. Faleceu em 1991, aos 65 anos. 
(Fonte: Texto original de Robert Palmer | Rolling Stone EUA | https://rollingstone.uol.com.br/musica)
 
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